Rosa Parks

 

Mulher, Negra e militante da causa racial. Rosa Parks virou símbolo da luta contra a segregação racial nos Estados Unidos da América (EUA) em uma situação adversa; ao viajar de ônibus, foi pressionada a ceder seu acento a uma pessoa branca, todavia, se negou; esse ato de “rebeldia” e valentia, levou Rosa a ser presa.

 

Rosa Parks foi uma ativista do movimento dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos. No dia 1 de dezembro de 1955, Rosa entrou para a história por se negar a ceder a um branco o seu assento em um ônibus em Montgomery, capital do estado de Alabama, no sul dos EUA. Na cidade, ocorriam os maiores conflitos raciais do país e desde 1900, por lei, os primeiros assentos dos ônibus eram reservados para passageiros brancos.

No dia 1 de dezembro de 1955, quando Rosa voltava do trabalho, tomou um desses ônibus e sentou-se em um dos assentos localizados no meio do coletivo. Quando alguns brancos entraram no ônibus e ficaram em pé, o motorista exigiu que Rosa e outros três negros se levantassem para dar o lugar aos brancos. Enquanto os outros três se levantaram, Rosa se negou a cumprir a ordem e permaneceu sentada.

A polícia foi chamada e Rosa Parks foi detida e levada para a prisão por violar a lei de segregação do código da cidade de Montgomery apesar de não estar sentada nas primeiras cadeiras. No dia seguinte, Rosa foi solta depois que teve a fiança paga por Edgar Nixon, presidente da NAACP, e por seu amigo Clifford Durr.

A prisão de Rosa provocou um grande protesto que resultou em um boicote aos ônibus urbanos, quando os trabalhadores negros e os simpatizantes da causa passaram a caminhar quilômetros em direção ao trabalho, causando grande prejuízo para a empresa.

Os protestos receberam o apoio de várias personalidades que se engajaram no movimento, incluindo Martin Luther King, que era pastor na cidade de Montgomery, e a cantora gospel Mahalia Jackson, que realizou uma série de shows para ajudar os ativistas que estavam presos.

O movimento contra a segregação durou 382 dias e só terminou em 13 de novembro de 1956 após a Suprema Corte declarar inconstitucionais as leis de segregação. Foi o primeiro movimento contra a segregação que saiu vitorioso em solo norte-americano.

Em 21 de dezembro de 1956, Martin Luther King e Glen Smiley, sacerdote branco, entraram juntos em um ônibus e ocuparam os primeiros lugares. Rosa Parks foi reconhecida nacionalmente como a “mãe do moderno movimento dos direitos civis”. As dificuldades não pararam, Rosa sofreu ameaças de morte e teve dificuldade de conseguir emprego. Em 1957, mudou-se para Detroit, Michigan. Em 1964, tornou-se diaconisa da Igreja Episcopal Metodista Africana (AME).

Em 1992, Rosa publicou sua autobiografia, ‘Rosa Parks: My Story’. Em 2002, viúva e com dificuldades financeiras, Rosa foi despejada de seu apartamento. Com a grande comoção nacional, Rosa recebeu ajuda da igreja batista Hartford Memorial, e o perdão da dívida pelo banco. Rosa Parks faleceu em Detroit, no dia 24 de outubro de 2005. Seu caixão foi velado com honras da Guarda Nacional do Estado de Michigan.

Fonte: Observatório do Terceiro Setor.


O VOTO E O CÁRCERE

 Susan B. Anthony foi uma mulher que não se omitia frente as opressões imputadas as mulheres. Em uma época onde o voto feminino era proibido, ela se rebelou, votando nas eleições presidenciais de 1872, vindo a ser presa e julgada posteriormente. Susan passou toda sua vida lutando em prol da igualdade entre os gêneros.


As eleições presidenciais de 2020 nos Estados Unidos marcam os 100 anos do voto feminino no país. Até 1920, nem todos os estados permitiam que as mulheres escolhessem seus governantes. Foi só com a aprovação da Décima Nona Emenda da Constituição que as mulheres passam a poder votar em todo o território nacional. Ela também é conhecida como Emenda Susan B. Anthony.

Depois de 148 anos, a líder do movimento pelo direito das mulheres está sendo perdoada por um crime que cometeu nas eleições de 1872: votar. Na última terça-feira (18), dia do centenário da Emenda, o presidente Donald Trump fez um discurso anunciando que assinaria um documento concedendo o perdão a ela.

Quatro dias antes das eleições de 1872, Susan foi até o escritório eleitoral da cidade de Rochester, em Nova York. Ela exigiu que seu nome fosse incluído na lista de eleitores. Os oficiais disseram que isso não poderia ser feito, mas ela insistiu e argumentou com base na Décima Quarta Emenda, que diz que todas as pessoas nascidas nos Estados Unidos são cidadãs do país. Eventualmente, os oficiais cederam.

No dia 5 de novembro, ela e outras 14 mulheres registraram seus votos nas caixas eleitorais, mesmo sabendo que, tecnicamente, a ação era ilegal, pois a lei do estado de Nova York (e de todos os outros) só garantia o direito ao voto para cidadãos do sexo masculino. Posteriormente, todas elas foram detidas e condenadas a pagar uma multa de 100 dólares (equivalente a U$2.160 em valores atuais, ou R$12.210). Ela nunca pagou a taxa.

usan B. Anthony é uma das fundadoras do movimento pelo direito das mulheres nos EUA e dedicou mais de 50 anos de sua vida à luta. Ela conduziu protestos pelo país e deu discursos em que questionava se era ilegal que um cidadão americano votasse. Ao ser detida no dia 18 de novembro, um policial pediu que ela o acompanhasse ao centro da cidade. Ela perguntou se era daquela forma que ele prendia homens. Quando o policial respondeu que não, ela pediu para ser “presa corretamente”.

Fonte: Revista Super Interessante. 







A perseguição


Leila Dinis

Sem sombra de dúvidas Leila Roque Dinis foi uma mulher que sabia o que queria, estava a frente de seu tempo. Após tirar fotos de biquíni, exibindo sua gravidez, foi perseguida e julgada. Leila se tornou um símbolo de liberdade no âmbito nacional, marcando muitas mulheres e indivíduos. 




Leila Diniz (1945-1972) foi uma atriz brasileira. Estrela do cinema, artista da TV, vedete do teatro rebolado, musa de Ipanema, irreverente e escandalosa, rompeu barreiras da sociedade conservadora de seu tempo. 

Leila Roque Diniz nasceu em Niterói, Rio de Janeiro, no dia 25 de março de 1945. Filha do bancário Newton Diniz e da professora de Educação Física, Ernestina Roque após a separação dos pais, foi morar com seus avós. Rebelde, fugiu de casa com 14 anos indo morar na casa de uma tia. Começou a trabalhar com 15 anos, como professora de escola primária com turmas do maternal e do jardim de infância.

Em 1962, então com 17 anos, Leila conheceu o cineasta Domingos de Oliveira, e moraram juntos até 1965. Nessa época, trabalhou como modelo de propaganda e depois atuou em peças de teatro infantil como “Em Busca do Tesouro”.

Em 1963, trabalhou como corista em um show de Carlos Machado. Trabalhou também nos filmes “O Mundo Alegre de Helô” e “Jogo Perigoso”. Em 1964, atuou no teatro em “O Preço de Um Homem”, com Cacilda Becker. Em 1965, já separada de Domingos de Oliveira, casou-se com o cineasta Ruy Guerra, época em que começou sua carreira na TV e atuou em diversas novelas.

Em 1966 estrelou no filme “Todas as Mulheres do Mundo”, dirigido por Domingos de Oliveira, que fez um grande sucesso de público e crítica. Leila recebeu o Prêmio Air France de Melhor Atriz de 1967. Na época, dizia que “O sucesso assusta, mas também abre o apetite”. Em seguida atuou nas novelas, “A Rainha Louca” (1967), “O Direito dos Filhos” (1968) e nos filmes, “Fome de Amor” (1968) e “Edu Coração de Ouro” (1969), entre outros.

Em 1969, época de censura e repressão, Leila Diniz deu diversas entrevistas e passou a ser vista como mais uma vedete que abusava dos palavrões para ser notada.

No dia 15 de novembro de 1969, quando o jornal “O Pasquim” publicou sua célebre entrevista, as páginas estavam repletas de asteriscos, nos palavrões que a censura havia suprimido. Na entrevista, a atriz fala de sua opinião sobre amor e sexo, escandalizando a sociedade.

No final de 1970, grávida de sua primeira filha, foi fotografada usando um reduzido biquíni, passeando nas areias da praia de Ipanema, o que provocou um choque para a sociedade conservadora da época. No carnaval de 1971, foi eleita Rainha da Banda de Ipanema. Em julho de 1971, inaugurou uma loja de roupas em Ipanema e afirmou: “Queria trabalhar sem me cansar muito”.

No dia 19 de novembro de 1971 nasceu Janaína Diniz Guerra, sua tão sonhada filha. Depois de três meses de reclusão, no carnaval de 1972, Leila já estava desfilando na escola de samba Império Serrano. Logo depois, estreou no espetáculo de teatro de revista, “Vem de Ré”, seu último show. 

Em junho de 1972, Leila foi para a Austrália, junto com a delegação brasileira para uma premiação no festival de cinema de Melbourne. Com saudade da filha, então com sete meses, voltou mais cedo para casa, pegou um avião da Japan Airlines que caiu na Índia, sem deixar sobreviventes. Leila Diniz faleceu em Nova Deli, na Índia, no dia 14 de junho de 1972.

Fonte: eBiografia.


O VOTO É UM DIREITO

 Mietta Santiago foi uma mulher de fibra, não se calou frente as injustiças no que tange ao voto feminino. Mietta foi até a justiça requerer seus direitos como cidadã e como mulher, tudo isso em defesa do voto e na participação da mulher no âmbito político.


 

Apesar de não ter sido a primeira mulher a votar no Brasil, a escritora e advogada mineira Mietta Santiago (pseudônimo de Maria Ernestina Carneiro Santiago Manso Pereira) teve um papel fundamental para que o direito ao voto chegasse a todas as mulheres. Com apenas 25 anos, Mietta desafiou a justiça no Brasil impetrando um Mandado de Segurança em que alegava que o veto ao voto das mulheres contrariava o artigo 70 da Constituição Brasileira de 24 de fevereiro 1891, então em vigor.

O fato, inédito no Brasil, permitiu que Mietta se tornasse não só eleitora, mas também candidata, e votasse em si mesma para um mandato de deputada federal. Embora ela não tenha conseguido se eleger, foi a primeira a exercer, plenamente, os seus direitos políticos. Nessa época, o Partido Republicano do Rio Grande do Norte aproveitou a brecha aberta por Mietta Santiago para lançar a candidatura da potiguar Luiza Alzira Soriano Teixeira, que se tornaria a primeira mulher a ser eleita para um mandato político no Brasil, como prefeita do município de Lages.

A coragem de Mietta inspirou Carlos Drummond de Andrade no seu poema ‘Mulher Eleitora’: “Mietta Santiago, loura poeta bacharel conquista, por sentença de juiz, direito de votar e ser votada…”.

Nascida na cidade de Varginha (MG), aos 11 anos, Mietta foi viver na capital mineira, onde estudou na Escola Normal de Belo Horizonte. Seu pai queria que ela lecionasse, mas a menina decidiu cursar mais dois anos de segundo grau para poder ingressar na Faculdade de Direito, seu grande sonho. Durante o curso, teve contato com a literatura moderna e se apaixonou pelo gênero da poesia, tornando-se futuramente escritora. Depois passou seis meses na Europa, onde terminou os estudos na área de Direito. Nessa época, teve contato com as ideias do movimento sufragista. Em alguns países pelos quais passou, percebeu o comprometimento das mulheres com a política.

Aos 20 anos, retornou da Europa, casou-se e pouco depois conseguiu o direito ao voto. Em Minas Gerais, fundou a Liga de Eleitoras. Como escritora, publicou as obras ‘Namorada da Deus’ (1936), ‘Maria Ausência’ (novela, 1940), ‘Uma consciência unitária para a humanidade’ (1981) e ‘As 7 poesias’ (1981). Escritora, advogada criminalista, oradora, escritora, poeta, sufragista e feminista, Mietta Santiago faleceu na cidade do Rio de Janeiro em 1995.

Fonte: Observatório do Terceiro Setor. 









A PRINCESA ESCRAVA

 Zacimba Gaba, princesa em seu país de origem (Angola), que foi capturada e enviada ao Brasil. Nessa nova terra, foi feita escrava, contudo, o sangue da guerreira africana falou mais alto. Zacimba lutou bravamente para prover a liberdade de seu povo, ao qual foram feitos cativos.


Zacimba Gaba foi uma princesa guerreira cuja história foi, por muitos, esquecida, devido ao projeto que se impôs no Brasil de apagar a memória da escravidão. Trata-se de uma princesa do reino de Cabinda, na Angola, África, nascida no século 17, que comandou seu povo numa guerra contra a invasão portuguesa na região costeira. Cabinda, na década de 1690, foi praticamente dizimada pelas tropas portuguesas e seus sobreviventes foram capturados e mandados ao Brasil como escravos.

No Espírito Santo, Brasil, ela foi vendida junto a 12 de seus súditos ao fazendeiro português José Trancoso. No campo de trabalho, Zacimba foi cruelmente castigada por não se submeter às ordens do senhor. Num primeiro momento, Trancoso não tinha noção do status de Zacimba entre os angolanos, mas percebeu logo o diferente tratamento dado a ela.

Um dia, a princesa foi levada à Casa Grande, onde Trancoso a interrogou por dias, para confirmar que ela era uma soberana. Nesse tempo, foi chicoteada e agredida, até admitir sua posição. Satisfeito, Trancoso estuprou Zacimba. O fazendeiro percebeu o poder dessa informação, e deixou claro que se houvesse qualquer levante e algo ocorresse com ele ou sua família, ele mataria Zacimba.

A princesa foi proibida de sair da Casa Grande e submetida a sessões de tortura física e psicológica. O mesmo ocorreu em massa entre os homens de seu povo, chicoteados diariamente nos campos. O sentimento de revolta pela sua libertação aumentava.

Uma arma muito utilizada entre os escravos brasileiros, como retruco contra capatazes violentos, era o envenenamento. Era comum o uso de um veneno proveniente da cabeça de uma cobra conhecida como preguiçosa — possivelmente, uma jararaca — no Vale do Cricaré, que é mortal em pequenas doses constantes. O veneno era conhecido como pó de amassar sinhô. O veneno devia ser dado em várias doses pequenas, pois não funcionava instantaneamente. Porém, com medo desse tipo de golpe, os senhores costumavam obrigar os escravos a experimentar as comidas que traziam, para provar que não estaria envenenada. Com essa consciência, Zacimba demorou anos para envenenar José Trancoso sem matar nenhum de seus irmãos.

Quando finalmente Trancoso morreu envenenado, Zacimba estava preparada e ordenou a invasão da Casa Grande pelos escravizados presos na senzala. Todos os torturadores foram mortos, mas a família do português foi poupada. Zacimba guiou seu povo pela fazenda, guerreando contra os capatazes, e fugiu, fundando um quilombo no Norte do Espírito Santo, hoje município de Itaúnas. Finalmente livre, o povo de Zacimba se tornou grande condutor de revoltas pela liberdade, e seu quilombo se tornou ponto de referência para escravos fugidos. A princesa passou o resto da vida guiando batalhas no porto de São Matheus, pela libertação dos negros que eram vendidos chegados de África, e a destruição dos navios negreiros. Persistente em sua luta pela liberdade, a princesa guerreira morreu invadindo um navio português, lutando pela libertação de seu povo cabindense.

Fonte: Aventuras na História (UOL)



Quem foi Helen Keller?

 Mulher, surda, cega, militante e defensora das pessoas com deficiência e das mulheres, Helen Keller foi uma pessoa que bravamente lutou pelos seus ideais, sendo reconhecida pelos seus escritos e atos ativistas.



Helen Keller foi uma escritora e ativista social norte-americana. Cega e surda, formou-se em filosofia e lutou em defesa dos direitos sociais, das mulheres e das pessoas com deficiência. Foi a primeira pessoa cega e surda a entrar para uma instituição de ensino superior.

Helen Adams Keller nasceu em Tuscumbia, Noroeste do Alabama, Estados Unidos, no dia 27 de junho de 1880. Filha de um capitão aposentado e editor do jornal local, com 19 meses de idade contraiu uma doença desconhecida diagnosticada como febre cerebral, que a deixou cega e surda.

Em 3 de março de 1887, antes de completar sete anos de idade, passou a contar com a ajuda da professora Anne Sullivan, que foi contratada pela família e passou a morar em sua casa. A professora, que aos cinco anos perdera parte da visão e aos dez ficou órfã de mãe, foi abandonada pelo pai e colocada em um albergue. Em 1886, graduou-se na Perkins School for the Blind, uma escola para cegos, e começou a procurar um emprego.

Com muito trabalho e paciência, a partir de abril de 1887, Anne conseguiu fazer Helen entender o significado das palavras que eram soletradas em sua mão, pela professora. Mais tarde, numa rápida assimilação, ela aprendeu os alfabetos Braille e o manual, o que facilitou sua escrita e leitura. Além de conseguir aprender a ler, escrever e falar, Helen estudou as disciplinas do currículo regular da escola.

Antes de se formar, Helen escreveu a autobiografia ‘A História de Minha Vida’, que foi publicada em 1902. Em sua árdua luta para se integrar à sociedade, escreveu uma série de artigos para o ‘Ladies Home Journal’. Em seus trabalhos literários, usava a máquina de datilografia de Braille para preparar os artigos e depois os copiava na máquina de datilografia comum.

Em 1904, graduou-se bacharel em Filosofia pelo Radcliffe College. Desenvolveu diversos trabalhos em favor das pessoas com deficiência, participou de campanhas pelo voto feminino e pelos direitos trabalhistas. A partir de 1924, Helen foi nomeada membro e conselheira em relações nacionais e internacionais da American Fundation for the Blind, uma instituição para informações sobre a cegueira, fundada em 1921. A partir de 1946 deu início a uma série de viagens, visitando 35 países. Em 1952, foi nomeada ‘Cavaleiro da Legião de Honra da França’. Recebeu a ‘Ordem do Cruzeiro do Sul’, no Brasil; o Tesouro Sagrado, no Japão; e o prêmio ‘Medalha de Ouro do Instituto Nacional de Ciências Sociais’, entre outros.

Helen Keller faleceu em Easton, Connecticut, Estados Unidos, no dia 1 de junho de 1968. Nesse mesmo ano, foi lançado o filme ‘O Milagre de Anne Sullivan’, um drama biográfico baseado no livro de Helen.

Fonte: Observatório do terceiro setor. 


ZEFERINA: A líder guerreira

 

Zeferina foi uma mulher negra, líder do Quilombo do Urubu, na Bahia; lutando por seus ideais e na defesa do Quilombo. Esta teve sua vida ceifada após uma revolta, contudo, morreu lutando pelo que acreditava e defendendo o Quilombo ao qual liderava.


Rainha, chefe, quilombola e guerreira. Foram esses os títulos que Zeferina, líder do Quilombo do Urubu, recebeu ao longo de sua vida. Zeferina chegou ao Brasil na condição de escravizada, junto com a mãe, Amália, ainda na primeira metade no século XIX.De origem angolense, Zeferina tornou-se uma liderança no Quilombo do Urubu – hoje correspondente à região do bairro Pirajá e do Parque São Bartolomeu, em Salvador, na Bahia.

Ela chegou ao quilombo fugindo dos abusos e da violência de seus senhores, e foi acolhida por outros quilombolas que já residiam na região. Em 17 de dezembro de 1826, utilizando apenas arco e flecha, Zeferina liderou a população local em um levante contra o ataque de tropas policiais ao quilombo. Assim, Zeferina liderou 50 homens e algumas mulheres – todos negros – contra mais de 200 homens com armas de fogo e cavalos, que, no final, conseguiram prender apenas um homem e uma mulher, a própria Zeferina.

É importante salientar que o Quilombo do Urubu tinha, ainda naquele período, uma forte ligação com o Candomblé, sendo a perseguição religiosa uma das possíveis razões para potencializar o ataque ao local. A postura de liderança de Zeferina foi observada pelo comandante das tropas, responsável pela documentação sobre o levante. Durante a luta, Zeferina animava os guerreiros quilombolas, instruía-os para que não se dispersassem ou recuassem.

Ela foi a última a desistir, e ao final acabou sendo presa por vários soldados. O título de “rainha” lhe foi dado pelo presidente da província, a maior autoridade da época na Bahia, após a sua prisão. Zeferina não retornou ao Quilombo do Urubu. As condições de sua morte nunca foram devidamente esclarecidas, e a localização de seus restos mortais não foi informada.

Fonte: Observatório do terceiro setor e Duque dos Banzos.



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