Exposição sobre Carolina de Jesus estreia em São Paulo
Com entrada gratuita, mostra estará no Instituto Moreira Salles, em São Paulo.
A exposição Carolina Maria de Jesus: um Brasil para os brasileiros, com abertura em 25 de setembro, apresenta a vida, a obra e o legado da escritora, além de ressaltar aspectos pouco conhecidos de sua trajetória. Com entrada gratuita, a mostra será realizada no Instituto Moreira Salles, localizado na capital paulista.
Resultado de uma pesquisa de quase dois anos, a seleção reúne cerca de 300 itens, entre fotografias, manuscritos, matérias de imprensa, vídeos e outros documentos. Além disso, haverá obras de cerca de 60 artistas que dialogam com a produção de Carolina de Jesus (1914-1977).
As reflexões da escritora ao longo de sua trajetória estão presentes na mostra, da infância na cidade de Sacramento (MG), no contexto pós-abolição da escravatura, passando por sua chegada à cidade de São Paulo, pelo lançamento e pela repercussão de seus livros, até o fim de sua vida, em Parelheiros (SP).
Segundo os organizadores, na seleção, o público poderá observar como Carolina interpretou as contradições, a política e a desigualdade do país. A exposição, em cartaz até janeiro de 2022, demonstra a importância histórica da autora para lutas como antirracismo, pelo letramento e pela moradia.
Para visitar a exposição, é preciso fazer agendamento prévio pela internet. O Instituto Moreira Salles, local da exposição, fica na Avenida Paulista, 2424.
Historiadora, roteirista, escritora, e ativista (pelos direitos humanos e do movimento negro), nascida em Sergipe em 1942, assassinada em crime de feminicídio em 1995. Maria Beatriz Nascimento, que hoje dá nome a biblioteca do Arquivo Nacional realizou, em parceria com a socióloga Raquel Gerber o documentário Ori, de 1988, que retrata o Movimento Negro nos anos 1970 e 1980. No centro das suas pesquisas acadêmicas, o quilombo, a mulher negra, a inferiorização da população afrodescendente. Foi uma das primeiras historiadoras a questionar a abordagem acadêmica, majoritariamente branca, de temas relacionados ao negro na sociedade brasileira.
Beatriz não apenas estudou, mas também militou e combateu, especialmente o racismo e a discriminação de gênero, e a violência destes resultante. Feminista, apontava com veemência a condição subalterna a que a mulher negra era muitas vezes reduzida.
Formada em história pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, estagiou no Arquivo Nacional, que atualmente possui o fundo Maria Beatriz Nascimento e que a homenageia através do nome da biblioteca. Ela deslocou-se entre academia e militância no movimento negro, confrontando ambientes universitários ensimesmados e tecendo um pensamento histórico a partir de vivências e andanças. Na segunda metade dos anos 1970, Beatriz começa a integrar núcleos de estudos no estado do Rio de Janeiro, juntamente com outros ativistas. Um destes grupos formados denominava-se Grupo de Trabalho André Rebouças ( Universidade Federal Fluminense), do qual ela se tornou orientadora. Com o objetivo de introduzir e ampliar principalmente na universidade conteúdos acerca das relações raciais no Brasil, os grupos de trabalho buscam envolver alunos e professores. Ainda na UFF, completa a especialização em 1981, com a pesquisa Sistemas alternativos organizados pelos negros: dos quilombos às favelas.
Beatriz Nascimento, ao longo de vinte anos, tornou-se estudiosa das temáticas relacionadas ao racismo e aos quilombos, abordando a correlação entre corporeidade negra e espaço com as experiências diaspóricas dos africanos e descendentes em terras brasileiras, por meio das noções de “transmigração” e “transatlanticidade”. Seus artigos foram publicados em periódicos como Revista de Cultura Vozes, Estudos Afro-Asiáticos e Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, além de inúmeros artigos e entrevistas a jornais e revistas de grande circulação nacional, a exemplo do suplemento Folhetim da Folha de S. Paulo, Isto é, jornal Maioria Falante, Última Hora e a revista Manchete.
Estava fazendo mestrado em comunicação social, na UFRJ, sob orientação de Muniz Sodré, quando sua trajetória foi interrompida. Beatriz foi assassinada ao defender uma amiga de seu companheiro violento, deixando uma filha.
Faleceu em 28 de janeiro de 1995 no Rio de Janeiro.
A história oficial pouco ou nada se ocupa de rebeldias indomáveis, de
pensamentos audazes e de mulheres livres, muito menos de alguém que reúna essas
três condições. esse o caso dessa extraordinária mulher, cujas ideias lúcidas,
propostas de ação e exemplo de vida seguem tendo pleno valor para aqueles/as
que aspiram à liberdade e à igualdade. O relato da vida de Flora Tristán (1803 - 1844) está cheio de
circunstâncias que parecem ter sido arrancadas das novelas românticas tão ao
gosto daquela época. Nasceu em Paris, filha de um aristocrata peruano e de uma plebeia francesa que havia imigrado para a Espanha. Com as guerras napoleônicas
e a morte do pai, em 1808, a família de Flora inicia uma etapa de pobreza,
mitigada pela ilusão do futuro acesso a fortuna paterna, quando pudessem viajar
para a América.
Em 1820, as necessidades se impõem e Flora vai trabalhar como operária de
uma oficina de litografia, cujo jovem proprietário - André Chazal - se apaixona
por ela. Para fugir da miséria e submetida à pressão materna, Flora casa-se em
1821, gerando dois filhos e uma filha – Aline - que veio a ser mãe do famoso
pintor Paul Gauguin. Em 1826, Flora já não suporta aquela união sem amor e
convencional, abandonando o lar e iniciando uma dura disputa legal e pessoal, que
se prolongará por 12 anos, até que Chazal quase a mata, sendo condenado a 20
anos de trabalhos forçados. Essa vivência será um estímulo para que aflore um
pensamento e uma ação que serão referências importantes para o movimento
feminista. Flora foi uma figura única, que denunciou com a mais sentida
sensibilidade os padecimentos da mulher de seu tempo, planteando reivindicações
que continuam sendo atuais.
Em 1833-34, Flora viaja ao Peru para buscar a herança de seu pai, sendo
recebida friamente pelos parentes, que lhe concedem somente uma modesta pensão
anual. Retorna a Europa reafirmando suas convicções igualitárias radicais, que
vem amadurecendo desde 1825, com a leitura de autores como Saint-Simon, Aurora
Dupin, Fourier, Considerant e Owen, além de seus contatos diretos com o
movimento operário na França e na Inglaterra.
Em 1835, publica seu primeiro folheto, dedicado à situação das mulheres
estrangeiras pobres na França; em 1837, sai o segundo, em prol do divórcio; em
1838, são publicados os dois volumes de seu diário de viagem a América, sob o
título de Peregrinações de uma Pária. Esta obra dá a Flora grande renome nos
meios literários parisienses, reafirmado meses depois com a novela Mephis ou O
Proletariado, que a eleva a categoria de rival da célebre George Sand. Ao mesmo
tempo, Flora aprofunda seu compromisso ativo com as lutas sociais mais radicais
de então. Primeiramente, pela emancipação da mulher e da classe operária, mas
também contra a pena de morte, o obscurantismo religioso e a escravidão.
Como que pressentindo a morte próxima, os anos posteriores a 1840 encontram
Flora Tristán na plenitude de seu trabalho e pensamento. É então que escreve A
União Operária (1843) e A Emancipação da Mulher (inédito até 1846), obras que
marcam sua maturidade intelectual e política. Realiza por toda a França a
tarefa de organizar essa União Operária, que recorria à experiência inglesa das
Trade Unions, ainda que com ênfase internacionalista e socialista radical. Tais
ações justificam a apreciação de quem vê em Flora a esquecida e grande
precursora da I Internacional, como seu biógrafo peruano L. A. Sánchez, que
afirma: "Aquela Associação Internacional dos Trabalhadores era a velha
União Operária, ampliada, ecumênica e viril (...) Ninguém lembrou da
precursora na célebre assembleia de Albert Hall. Mas ela, com seu pensamento e
exemplo, a esteve presidindo desde longe, desde a eternidade. Talvez, se com
alguém se identificava mais seu espírito, era com o de um certo homem de barbas
revoltas e verbo ardente, que costumava discordar vigorosamente de Marx: Miguel
Bakunin".
Extraído da Revista Correo A, n° 26, set/94, Caracas, Venezuela.
Em 2011 Lorena Stricker, fez um documentário sobre a vida de Flora Tristán. Vocês podem assistir na íntegra (em espanhol), por aqui:
Tanto Marx quanto Engels citaram "A união obreira" (1844) de Flora Tristán como uma inspiração para o Manifesto Comunista (1848) Inclusive defenderam o livro de Tristán de críticas misóginas.
Uma das lutas dela, obviamente, era pelo direito da mulher pedir divórcio, proibido na França. Em 1840 foi p/ os subúrbios pobres de Londres.
Lá entrevistou trabalhadores, prostitutas e todo tipo de pária social. Dessas entrevistas e incrível trabalho de campo nasceu "Nas ruas de Londres". Engels usou as entrevistas desse livro em seu: "A situação da classe trabalhadora".
Apesar de não ter o reconhecimento que deveria no desenvolvimento das ideias socialistas e comunistas, Flora é reconhecida como um dos primeiros nomes do feminismo. No Peru, um instituto de Apoio à Mulher leva seu nome, na França recebeu uma série de homenagens.
Como três mulheres criaram o movimento global Black Lives Matter a partir de uma hashtag?
MARÍA ESME DEL RÍO, GIO SOLIS, O’SHEA TOMETI
Alicia Garza, Patrisse Cullors e Opal Tometi tiveram a ideia do Black Lives Matter em 2013
Das muitas causas pelas quais o ano de 2020 será lembrado, uma é a ascensão do movimento Black Lives Matter (vidas negras importam) não apenas nos Estados Unidos, mas em todo o mundo.
Seus apoiadores lideraram grandes manifestações e campanhas notáveis contra o racismo e a brutalidade policial contra pessoas negras.
Mas poucos sabem que o BLM, em portugês "vidas negras importam", foi uma ideia criada por três mulheres.
As mesmas foram escolhidas pela BBC entre as 100 mulheres mais inspiradoras de 2020.
Alicia Garza, Patrisse Cullors e Opal Tometi fundaram um movimento baseado em uma hashtag das redes sociais, transformando a política. Uma hashtag é uma forma de ressaltar ideias e juntar publicações sobre um tópico.
Em 2013, quando George Zimmerman, homem acusado de matar o adolescente negro Trayvon Martin, foi considerado inocente na Justiça, Alicia Garza fez uma postagem indignada no Facebook. Seu texto, em que ela dizia estar passando por um luto, incluía a frase "black lives matter". Foi uma faísca.
Sua amiga Patrice Cullors leu a publicação e escreveu uma resposta, transformando a expressão de Garza em uma hashtag: "#blacklivesmatter".
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Legenda da foto,
Opal Tometi, Patrisse Cullors e Alicia Garza foram reconhecidos com vários prêmios desde 2013
Com a hashtag se popularizando no Facebook e no Twitter, Garza, Cullors e outra amiga ativista, Opal Tometi, criaram uma rede com o nome Black Lives Matter, que logo foi adotada em protestos pelos Estados Unidos. O movimento se espalhou no mundo inteiro. O Brasil tem seu próprio "Vidas Negras Importam", por exemplo.
"Os negros, junto com nossos aliados, se levantaram para mudar o curso da história. E nós vencemos", diz Garza.
Em 2020, foi o assassinato de George Floyd que levou as pessoas novamente às ruas. Em maio, um policial colocou o joelho em seu pescoço, sufocando Floyd durante uma detenção na cidade de Minneapolis.
"O Black Lives Matter, depois de 7 anos, está realmente no DNA e na memória muscular deste país", afirma Garza.
"Todos nós vimos como membros de nossa comunidade, nossa família, são mortos diante das câmeras."
Mas, para ela, a grande mídia continua focada na coisa errada.
"De forma recorrente, o peso e a responsabilidade pela violência recaem sobre nossos ombros, mas ninguém fala sobre a violência que nossas comunidades estão sofrendo, tanto por negligência do governo quanto pelas mãos da polícia", diz.
CRÉDITO,GETTY IMAGES
Legenda da foto,
2016 também viu uma onda de manifestações Black Lives Matter por causa dos homicídios de homens negros por policiais
"Agora temos um novo elemento, que é a violência dos justiceiros e da supremacia branca."
Livros de história
Apesar da direção que o movimento tomou, as fundadores do BLM estão cautelosamente otimistas, especialmente ao falar sobre a derrota de Donald Trump na eleição.
As mulheres negras, em particular, foram creditadas com um papel significativo na vitória do presidente eleito, o democrata Joe Biden.
Garza, Cullors e Tometi agradeceram o reconhecimento de Kamala Harris, que fez história como a primeira mulher e a primeira negra eleita vice-presidente.
Mas disseram que iriam pressionar para que ela não fosse apenas um "símbolo", mas alguém "que lute por nossas comunidades".
"Estou animada em ver a maneira como o movimento BLM, junto com outros movimentos, tem se apresentado diante da situação e gerado ações políticas e que realmente refletem o que temos de melhor", diz Tometi.
"Acho que nossos movimentos estão mostrando que pode haver uma alternativa completamente diferente, e estou muito emocionada e grata por estar viva em um momento como este."
Garza diz que o BLM está fazendo mais e mais conexões ao redor do mundo, incluindo o apoio a protestos como #EndSars contra a violência policial na Nigéria.
"Estamos transformando a política como a conhecemos, mas estamos muito focados em transformar o poder, a forma como ele funciona e em garantir que haja mais poder nas mãos de mais pessoas", diz.
Cullors diz que os feitos do BLM em 2020 entrarão nos livros de história.
"O que me emociona é que meu filho pode dizer que sua mãe, junto com outras corajosas mulheres negras, fizeram tudo que podiam - e nós pudemos - para melhorar este lugar."
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Legenda da foto,
Diferentes gerações participam dos protestos pelas vidas negras
"Estou animada com a história que está sendo contada."
Como as 100 mulheres foram escolhidas?
A equipe BBC 100 Women elaborou uma lista de nomes que foram adicionados a partir de sugestões de diferentes serviços de língua da BBC World Service.
Procurávamos candidatas que chegaram às manchetes ou foram influentes nos últimos 12 meses. Também aquelas que tinham histórias inspiradoras para contar ou que alcançaram algo significativo, mesmo que não necessariamente tivesse aparecido no noticiário.
O conjunto de nomes foi então avaliado com base no tema deste ano, "Mulheres liderando a mudança", e a representação e imparcialidade foram examinadas antes da escolha dos nomes finais.